Porque você precisa de um aplicativo mobile?

Muitas empresas estão investindo dinheiro em aplicativos mobile. De bancos a fabricantes de sabão, todo mundo quer ter sua bandeira fincada nas lojas de aplicativos mobile. Este movimento tem um quê de corrida do ouro, com muita gente desenvolvendo aplicativos mobile porque todo mundo está fazendo, sem uma definição clara de objetivos e, o que é mais importante, sem um estudo de alternativas para se atingir esse objetivo.

Existe uma alternativa às aplicações mobile: sites mobile, e eu recomendo que você avalie, antes de iniciar a construção de uma aplicação mobile, se seu problema não pode ser resolvido por um site mobile.

Campus Online Visie, um exemplo de aplicativo web mobile

Sites mobile são multiplataforma. Aplicativos para iPhone não rodam em Android, aplicativos para Blackberry não rodam em Windows Phone. Desenvolver um aplicativo que funcione nessas quatro plataformas significa desenhar uma vez só, mas construir quatro vezes. Em linguagens de programação diferentes, com APIs diferentes. Disponibilizar seu aplicativo nas diversas lojas mobile também significa encarar várias exigências burocráticas. Um bom site mobile, por outro lado, funciona nas quatro plataformas citadas acima, e tem grande chance de funcionar em qualquer outra, sem esforço extra.

Sites mobile usam uma base de código que você aproveita para desktops. Se você já tem um site ou aplicativo web que faz o que você precisa, provavelmente, para ter um site mobile, será preciso mexer apenas no que os desenvolvedores chamam de “camada de apresentação”. Se você ainda não tem um site ou aplicativo web e decidir construí-lo mobile, vai aproveitar boa parte do seu investimento se no futuro decidir tê-lo também funcionando também em computadores.

Com HTML5, sites mobile podem fazer quase tudo o que uma aplicação mobile faz, incluindo acessar o GPS, ler a orientação do dispositivo (se o telefone está em pé ou deitado), guardar dados no telefone, desenhar gráficos, transições, animações, tocar áudio e vídeo, e até funcionar offline.

Quando você precisa de um aplicativo? Existem, claro, situações em que construir um aplicativo é essencial. Você vai precisar de um aplicativo se:

* Está fazendo um jogo pesado
Ainda é muito difícil, com HTML5, construir interfaces tridimensionais, com gráficos de alta qualidade, muito movimento, respostas rápidas e interação com som.

* Precisa interagir com o telefone
Não há uma maneira de um site mobile ler a agenda de contatos do telefone, ou as fotos da galeria, por exemplo. Embora hajam maneiras de, por exemplo, disparar uma ligação telefônica a partir de um link ou botão.

* Precisa de interação precisa com o acelerômetro
Sites mobile hoje apenas sabem se o telefone está em pé ou deitado, e mais nada. Não dá para fazer um aplicativo controlado pelo acelerômetro assim, como uma corrida em que o volante é o próprio telefone.

* Pretende cobrar por seu aplicativo
Existem alternativas para se cobrar pelo acesso à aplicação ou vender conteúdo dentro dela, e fazem todo o sentido se seu aplicativo for realmente multiplataforma, acessível do computador e do celular.
Se você pretende cobrar pelo uso do próprio aplicativo, é bom avaliar se usar as lojas de aplicativos, em que o usuário compra com um clique, já tendo seu cartão de crédito cadastrado, não é a melhor solução. Nesse caso, as lojas de aplicativo também vão dar visibilidade ao seu aplicativo.

* Seu aplicativo precisa rodar em background
Se seu aplicativo precisa de um serviço rodando em segundo plano, você não conseguirá fazer isso com um site. Por exemplo, se seu aplicativo deve avisar o usuário cada vez que ele se aproximar de um local específico, mesmo que ele esteja fazendo outra coisa no telefone ou esteja com o telefone no bolso.

Site do Twitter mobile: quase completo, mas sem notificações em background

Há, por outro lado, uma diversidade de situações em que um bom site mobile pode substituir, com vantagens, um aplicativo. Quando o aplicativo só acessa seu site, como fazem muitos aplicativos de internet banking, que são exatamente iguais o site mobile do banco. Mesmo que seu site seja um aplicativo web razoavelmente complexo, com animações, gráficos e interações, é muito provável que seja possível fazê-lo funcionar em dispositivos móveis, atendendo a uma variedade de plataformas com um esforço de investimento só.

Quando o aplicativo é só um sistema de cadastro e consulta, realiza cálculos, gera relatórios, etc. Ou quando se trata de uma consulta a serviços web, um mecanismo de chat, um catálogo de produtos, um e-commerce, um sistema de mapas e rotas, um gerenciador de conteúdo ou qualquer outro negócio que já tenha sido bem resolvido com uma interface web.

Avalie alternativas antes de construir um aplicativo mobile. Talvez você possa, com um site mobile, atingir um público muito maior, com um investimento menor, e ainda tenha uma drástica redução nos custos de manutenção e atualização do aplicativo.

Por que não uma revista da Visie? (sossega Fiuza)

Nosso amigo Frederico Fiuza tem pedido incessantemente pelo Twitter (@fiuza) que nós criemos uma revista da Visie. Minhas considerações:

Apesar de derrubar árvores, revista de papel ainda é muito legal. Há poucas boas revistas sobre web, como a Webdesign e a TIDigital. Revistas de papel podem ser dobradas, são confortáveis de se ler, você pode ler no banheiro, pode ler no ônibus ou no metrô, e pode até usá-la, enrolada, como uma arma. Há muito conteúdo bom nessa área de web que exige uma leitura cuidadosa e ficaria excelente numa revista. Acredito que há espaço para mais revistas sobre web no mercado, e eu mesmo serei assíduo consumidor se o conteúdo for bom.

Por outro lado, manter uma revista é difícil para caramba. A informação, que flui de graça pelas redes digitais, começa a consumir dinheiro imediatamente ao se pensar em transformá-la em papel. É preciso dinheiro para imprimir, empacotar, estocar, enviar e recolher as que foram devolvidas. A economia de escala também é cruel para com os pequenos. Fazer e distribuir uma revista em pequenas quantidades é proibitivo.

Acompanhei dois casos exemplares. A Revista iMasters morreu depois de três excelentes edições. Conteúdo de primeiríssima, uma marca respeitável, uma comunidade muito ativa. Amigos, se o grande Tiago Baeta e seu time, que vivem de produzir conteúdo e fazem isso de maneira fantástica, não conseguiram manter uma revista, quem somos nós para tentar?

Vi também a divisão da Linux Magazine e o surgimento da Easy Linux, duas de minhas prediletas. O Rafael Peregrino, que está à frente dessa coisa toda, é o homem certo para a tarefa. A Linux New Media vive de revista. E passaram uns bons apertos até acertar a fórmula. (Longa vida à Linux Magazine, que eu compro na banca todo mês!)

Percebe a relação? O iMasters vive de produzir e entregar excelente conteúdo, tem o tempo de seu pessoal dedicado a isso, e não conseguiu. A Linux New Media vive de revista, em dedicação integral, e apanhou para conseguir. Nós simplesmente não estamos nesse negócio. Vivemos de desenvolver software. Escrevendo bastante para revistas como a TIDigital, pudemos observar o excelente trabalho da Arteccom. Muito trabalho, não é coisa para amadores.

Por outro lado, continuamos produzindo conteúdo. Então, para o Fiuza não ficar chupando o dedo, montei um agregador de conteúdo: planeta Visie. Não tem conteúdo exclusivo, layout bacana nem nada. (O pessoal de layout aqui prometeu um layout bacana para os próximos dias.) É só o conteúdo produzido pelo pessoal da Visie, que está espalhado nos diversos sites, junto, num lugar só, com um feed para você assinar. Assine o feed e abra uma vez por mês. É o que, hoje, podemos fazer por você mais parecido com uma revista.